"Fonoaudiologia é uma arte que merece ser mais amplamente conhecida. Você não pode imaginar as acrobacias que sua língua mecanicamente executa para produzir todos os sons da linguagem”, Jean Dominique Bauby, foi Editor Chefe da Revista ELLE em Paris, após ter um AVE e precisar de tratamento fonoaudiológico.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Voz, Audição, Vontade de fazer o bem e Tecnologia = ELO de amor

A voz é como a nossa impressão digital. É ímpar! Cada pessoa tem a sua. Facilmente reconhecemos a nossa voz, ou a voz de uma pessoa conhecida; basta ouvir! Por isso, voz e audição, são para mim habilidades maravilhosas que nos permitem a mágica da comunicação e, consequentemente, a transmissão de mensagens lindas de amor!

Veja neste vídeo, como a voz e a audição, somados a vontade de fazer o bem e a tecnologia, possibilitaram criar o ELO do amor! Assim chamado, o ELO é um ursinho de brinquedo, desenvolvido num hospital referência em tratamento oncológico no Brasil, com o objetivo de proporcionar o envio de mensagens às crianças internadas, que não podem ter contato com outras pessoas devido à debilidade do sistema imunológico.

Me derreti de emoção ao ver este vídeo! Bom mesmo é saber o tanto de gente por aí nesse mundo também dedicado à fazer o bem!



domingo, 23 de março de 2014

MAMA-SUTRA! Vamos falar sobre posições para amamentar?




Gente, vi este quadrinhos na internet e adorei a piada! Esse négocio de amamentar não é mole, não!  Eu sei! As vezes é preciso fazer mama-labarismos!

Algumas mãezinhas, minhas pacientes, já me confessaram que no início eram muito resistentes em aceitar minhas orientações porque me achavam muito novinha (oba!) e sabiam que eu não tinha filhos para saber exatamente o que é a experiência da amamentação - nunca sei como elas descobrem esse segredo ;-)! No final, elas se surpreendiam como "a fono sabe das coisas" e faz diferença no processo de estabelecer o aleitamento materno! Adoro ouvir todos estes depoimentos, tirar ou estar na foto da primeira mamada do bebê e comemorar junto com a família o dia da alta do bebê que "agarrou" no hospital pela dificuldade de se alimentar! Só tenho a agradecer a todas as mães por dividirem comigo esta experiência e dizer que me sinto muito especial em poder ajudar a conquistar o sonhado ato de AMARmentar!

Dentre as coisas que a FONO sabe... a dica que eu quero compartilhar com vocês é que, em termos de mama-labarismos ou mama-sutra, quase todas as posições para amamentar valem! Pode escolher seu jeito, seu lado, seu braço, seu peito favorito para amamentar! Só NÃO vale deixar o bebê mamar DEITADO!

Além do risco de engasgar e dos problemas de refluxo, quando o bebê mama deitado, ou seja, completamente horizontalizado no colo ou na cama, o leite pode escorrer lá pra dentro do ouvido e causar problemas de audição. Isso ocorre porque todos nós temos um canal que comunica o ouvido com o nariz e a boca, que serve para "ventilar o ouvido"; no bebê, a posição deste canal facilita a passagem de leite que vem da boca ou catarro que vem do nariz para o ouvido. O acúmulo de líquido no ouvido, pode causar um grande problema. Imaginem só: o ouvido é um buraquinho pequenininho e quente... quando está úmido torna-se um berço para bactérias que causam infecção de ouvidos crescerem. Essa é uma das principais causas de OTITES!

Episódios de otites - além de levarem desconforto para o bebê, que pode sentir dor, ter mal cheiro no ouvido e apresentar febre - podem causar perda de audição. Muitos bebês falham no Teste da Orelhinha por causa de posição inadequada para amamentar, acreditam? Ou seja, mamar deitado causa alterações na audição antes mesmo do primeiro mês vida. Nesta fase, a maioria destas alterações pode se reverter após a adequação da prática de amamentar. Orientamos as mães e, comumente, os bebês apresentam resultados normais no reteste da orelhinha depois de 15 dias. Infelizmente, alguns outros vão precisar de tratamento otorrinolaringológico a longo prazo... e podem necessitar até mesmo de cirurgia!

Faça sua parte, mãe! Alguns problemas de audição, incluindo alguns tipos de otites, são causadas por motivos diversos que as vezes nem a medicina explica! Outros, são passíveis de prevenção. Não permita que seu bebê mame deitado! Se o sono bater e você não conseguir se levantar ou se assentar para amamentar, posicione um travesseiro abaixo da cabeça do bebê, de modo que ele fique na posição bem inclinada.

Você, mãe, que tiver tiver dificuldade para amamentar, procure um especialista! Não desista, seu bebê agradece!



quarta-feira, 10 de julho de 2013

SaLuT! Beber VINHO faz bem pra AUDIÇÃO

Olha eu lá em Napa Valley... 
Hoje fui almoçar num restaurante que estampava na entrada uma reportagem com a seguinte manchete: "RESVERATROL PRESERVA A AUDIÇÃO". Fonoaudióloga que sou, e amante de vinho, tive que investigar a fundo esta história!

A reportagem dizia que o resveratrol - substância  presente na uva e, portanto, no vinho - inibe os radicais livres e uma enzima chamada COX-2, que podem causar prejuízos na capacidade de ouvir. A reportagem deixou claro que a substância só é encontrada no vinho tinto (que pena!) e que, para obter o benefício,é necessário ingerir uma quantia bem alta. 

O estudo foi realizado no Departamento de Otorrinolaringologia/ Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Henry Ford, nos Estados Unidos. Ele mostra que ratinhos saudáveis, quando receberam o resveratrol antes da exposição ao ruído intenso e contínuo, estiveram menos propícios a sofrerem dos efeitos da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). Os bichinhos tratados com resveratrol tiveram um índice de perda auditiva 50% menor. No experimento, o extrato de resveratrol foi transformado em cápsulas: 3 pílulas carregam o equivalente a 288 taças de vinho! 

É... se a gente tiver que beber tudo isso, eu diria que a gente vai morrer rápido, ouvindo bem e, quem sabe, muiiiiito feliz!

Para quem quiser conhecer o artigo original (eu achei! :-), ele foi publicado no jornal Otolaryngology - Head and Neck Surgery. Aqui vai o link   http://oto.sagepub.com/content/148/5/827.abstract. 

sábado, 2 de março de 2013

Se for fazer "Teste da Orelhinha", que seja bem feito!

Microfonia Coclear: Não dá para confiar só na EOA! Mas que é lindo de se ver o funcionamento do corpo humano, isso é!

A gente já nasce e tem que "passar" em um monte de teste. Hoje em dia o recém-nascido (RN) passa por várias triagens, com o objetivo de verificar doenças, deficiências ou alterações que possam ser diagnosticadas e tratadas precocemente. Começou com o "Teste do Pezinho" e agora já temos o "da Orelhinha", "do Olhinho", "da Linguinha", "do Coraçãozinho"... Certamente, são avanços da medicina que vieram para promover o desenvolvimento biopsicosocial saudável da criança.

A regularização e, portanto, obrigatoriedade das triagens dos recém-nascidos nos hospitais públicos e privados demandou muitos estudos e discussões, com vistas a identificar a relevância e a viabilidade dos exames de triagem do RN. Pesquisadores, políticos e entidades de classe - por exemplo, as Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Oftalmologia, Cardiologia - precisaram se unir para regulamentar os projetos de leis voltados à saúde da criança. Hoje, temos grandes conquistas, e me orgulho por poder participar da prática, das discussões, pesquisas e regulação do Programa de Triagem Auditiva Neonatal em Minas Gerais.

O que me preocupa, entretanto, são os hospitais e serviços que estão realizando a Triagem Auditiva Neonatal, o famoso "Teste da Orelhinha", sem os critérios clínicos estabelecidos, visando apenas cumprir a lei ou garantir mais uma forma de lucro. Na prática, vejo no Serviço de Diagnóstico Audiológico Infantil onde eu trabalho, onde recebemos para diagnóstico as crianças que falharam à triagem, que alguns profissionais estão despreparados para desempenhar essa importante tarefa. 

As diretrizes recomendadas pelo Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) e Comitê Multiprofissional de Saúde Auditiva (COMUSA) devem ser criteriosamente seguidas. É importante invenstigar com propriedade a presença de Indicadores de Risco para a Perda Auditiva. Consanguinidade, Hiperbilirrubinemia com Transfusão Extrasanguíneo e Antecedentes Familiares com Perda Auditiva, por exemplo, são frequentemente despercebidos. A identificação de tais indicadores é muito importante, pois as crianças que os apresentam necessitam retornar para consultas de acompanhamento do desenvolvimento auditivo, mesmo quando apresentam resultados normais à TAN. Apesar da cóclea, órgão sensorial da audição, estar completamente desenvolvido desde a vida intra-uterina, a maturação das vias auditivas centrais inicia-se após o nascimento e completa-se por volta dos 18 meses de vida pós-natal. Por isso, é possível desenvolver alterações auditivas após o nascimento, que podem não ser inicialmente perceptíveis ao olhar dos pais.

Me preocupa, sobretudo, os serviços que estão realizando a TAN utilizando-se exclusivamente da pesquisa das Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA). A observação de respostas comportamentais auditivas, especialmente a pesquisa do Reflexo Cócleo-Palpebral (RCP) é de suma relevância e é diretriz definida pela COMUSA. Atenção, mamães!!! Ao acompanhar seus nenéns ao Teste da Orelhinha, observe ou pergunte sobre o "barulho que faz o neném piscar"! Outro dia, recebemos no nosso serviço, uma criança que passou no Teste da Orelhinha, realizado exclusivamente com a pesquisa das EOA. Os pais, que já tinham uma outra criança com deficiência auditiva, atentaram-se ao comportamento auditivo atípico da criança e nos procuraram mesmo com os resultados "normais" à TAN. Após uma série de exames - EOA Transientes presentes, RCP ausente, Respostas Comportamentais Auditivas Inadequadas para Sino, Ausência de formação de ondas I, III e V ao PEATE com presença de Microfonia Coclear - identificamos nela a presença do que chamamos de Neuropatia, ou seja, uma Perda Auditiva Central. Dentre as perdas auditivas, o prognóstico é um dos mais reservados. É preciso tratamento intenso para estimular a oralidade por leitura orofacial. Em alguns casos, o Implante Coclear também pode ser uma alternativa terapêutica.

A história me comoveu; fico triste em saber que, se o RCP tivesse sido pesquisado, o diagnóstico poderia ter sido fechado mais precocemente. Por isso, faço este apelo aqui no blog: 

Se for fazer Teste da Orelhinha, que seja bem feito!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Palavra de fonoaudióloga sobre o Uso de COTONETES na orelha: NÃO USE!



"Estão fazendo a higiene das orelhinhas"? Sempre faço esta pergunta aos pais quando recebo recém-nascidos para a Triagem Auditiva Neonatal - o famoso "Teste da Orelhinha". As respostas são as mais diversas e me levaram a concluir que a obsessão pela higiene é uma cultura cultivada no brasileiro desde o nascimento. (Sim! somos obsecados por banho e por jogar água em tudo... hábitos pouco comuns mundo afora! ;-)


Muitos pais, receosos que eu lhes recrimine por não cuidarem bem da higiene do bebê, me respondem que "Sim, estamos fazendo a higiene das orelhinhas", mas eu percebo que "Não, sequer pensei que isso fosse necessário". É claro que eu não lhes condeno, pois sei que a chegada de um bebê no lar é um processo de adaptação e aprendizagem... e eu adoro lidar com esses recém "papais" e "mamães"! Outros (muitos) pais, me respondem que "Sim" e explicam como: "Devagarzinho, com cotonetes" . Poucos são os pais conscientes sobre a forma correta, quando realmente necessária, da higienização das orelhinas do recém nascido e até mesmo das nossas "orelhonas"!

Em se tratanto de orelhas, os cuidados de higiene são bem simples para qualquer idade. É importante saber, sobretudo, que a cera não é sinal de sujeira, muito menos de descuido. Ao contrário, recobrindo o conduto auditivo, a presença de cera confere proteção às orelhas quanto à entrada de microorganismos que causam infecção. Quando em excesso, normalmente, a cera é expelida naturalmente pela orelha; entretanto, algumas pessoas podem precisar de ajuda médica para retirá-la... e não de cotonetes.

O uso de cotonetes, com o objetivo de retirar a cera do ouvido, pode causar prejuízos à audição. Os adeptos dessa prática precisam entender que, ao contrário do que imaginam, a inserção do cotonete não é capar de puxar a cera de dentro para fora; ao contrário, ele tende a empurá-la para dentro da orelha, dificultando a expulsão natural e, consequentemente, favorecendo a formação de "rolhas de cerúmen." Essas rolhas, que são como bolinhas de cera que tampam o conduto auditivo, causam a diminuição da audição.

Outro risco relativo ao uso do cotonete é o de lesar as estruturas da orelha, especialmente a membrana timpânica. Mesmo que "Devagarzinho" ou "Com cuidado" o risco existe, especialmente em se tratando de crianças que não se aquietam!!!! Por isso, não se estresse em limpar as orelhas! O ideal é fazer a higiene apenas do pavilhão auricular (a parte externa da orelha), com o auxílio de uma gaze ou a pontinha de uma fralda umedecida com água. Relaxe, deixe com a própria orelha o trabalho de expelir o excesso de cera!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A relação da Audição com a Fala, por que o "surdo" é "mudo"?

A audição é pré-requisito para o desenvolvimento da linguagem oral, pois é escutando que o bebê aprende a falar. Muita gente ainda pensa e diz que "todo surdo é mudo". A verdade é que o portador de deficiência auditiva muitas vezes não fala porque não recebeu os estímulos auditivos necessários para desenvolver a linguagem oral - e não porque existe um problema anatômico no aparelho fonoarticulatório (boca, língua, pregas vocais, etc).

Gostaria de apresentar uma escala de habilidades (Ruth Griffths, 1954) do desenvolvimento normal da função auditiva associada ao desenvolvimento da linguagem oral. Ela pode ser útil aos profissionais, em especial educadores e pediatras, que acompanham o desenvolvimento geral da criança. Aos pais, esta escala também é útil para reconhecerem como está o desenvolvimento de seus filhos. O Fonoaudiólogo é o profissional indicado para avaliar a Linguagem e a Audição da criança, caso seja observado que ela não está realizando as habilidades esperadas para a faixa estária em que se encontra.

PRIMEIRO ANO DE VIDA

Primeiro trimestre
1. O bebê assusta-se com sons.
2. É aquietado pela voz da mãe.
3. Produz sons murmurados, além do choro.
4. Escuta un sino tocando em intensidade baixa, perto dele.
5. Produz ruídos definidos, uma sílaba.
6. Procura os sons com movimentos oculares.
7. Escuta música.
8. Produz dois ou mais sons diferentes.

Segundo trimestre
1. Procura o som com movimentos de cabeça.
2. Ri alto.
3. Vira sua cabeça deliberadamente para sinos.
4. Presta atenção ao som de um diapasão.
5. Gorgeia ou pára de chorar quando ouve música.
6. Fala ou balbucia para as pessoas.
7. Manipula o chocalho.
8. Produz quatro ou mais sons diferentes (sons simples separados ou sílabas).

Terceiro trimestre
1. Responde quando é chamado.
2. Usa balbucio de duas sílabas.
3. Grita para chamar a atenção.
4. Escuta com atenção a uma conversa.
5. Usa tons de canto.
6. Usa frase balbuciadas de quatro ou mais sílabas.
7. Diz mama ou dada. Emite uma palavra de modo claro.
8. Escuta com atenção o despertador.

Quarto trimestre
1. Meneia a cabeça para dizer "não".
2. Diz duas palavras claras.
3. Usa balbucios curtos com significado, com sentenças.
4. Toca o sino.
5. Reage à música vocalmente.
6. Balbucia monólogos quando está sozinho.
7. Emite três palavras de modo claro.

SEGUNDO ANO DE VIDA

Primeiro trimestre
1. Tenta cantar.
2. Olha figuras durante pouco tempo.
3. Sabe seu próprio nome.
4. Gosta de cantigas com rimas e "jingles".
5. Emite quatro ou cinco palavras claramente.

Segundo trimestre
1. A criança identifica um objeto numa caixa, quando este é nomeado.
2. Emite seis ou sete palavras claramente.
3. Produz longas conversas balbuciadas, com algumas palavras claras.
4. Entretém-se com um livro de figuras.
5. Identifica dois objetos numa caixa.
6. Emite nove palavras claramente.

Terceiro trimestre
1. Identifica quatro objetos numa caixa.
2. Possui um vocabulário de 12 palavras claras.
3. Vocabulário de figuras _ nomeia uma palavra.
4. Emite combinações de palavras.
5. Vocabulário de figuras - duas figuras são nomeadas.

Quarto trimestre
1. Escuta atentamente as estórias
2. Vocabulário - 20 palavras claras.
3. Nomeia quatro brinquedos.
4. Produz sentenças de quatro ou mais palavras.