"Fonoaudiologia é uma arte que merece ser mais amplamente conhecida. Você não pode imaginar as acrobacias que sua língua mecanicamente executa para produzir todos os sons da linguagem”, Jean Dominique Bauby, foi Editor Chefe da Revista ELLE em Paris, após ter um AVE e precisar de tratamento fonoaudiológico.

. . . .

sábado, 10 de maio de 2014

...que o blog agora tem outro nome


PALAVRA DE FONOAUDIÓLOGA foi o nome deste blog por 5 anos!!!!

Nunca escrevi a história deste blog aqui, mas a idéia de fazê-lo veio de uma maneira muito impulsiva,  na tentativa de exteriorizar algumas vivências e canalizar as atenções numa atividade que fosse, ao mesmo tempo, prazerosa e didática para mim e para os leitores. Bateu a idéia de criar o blog e aí tive que pensar num nome na hora! Não tive ajuda! Nunca gostei muito; para falar a verdade, sempre achei muito formal. Eu queria passar a idéia de aconselhamento, mas acho que ficou muito mais a cara de uma fonoaudióloga prepotente que não explica nada: "é palavra de fonoaudióloga, e pronto... não duvide!" rsrs

Só que um dia descobri que era possível mudar o nome do blog...e outro dia percebi que uma expressão muito comum entre a equipe e os pacientes é: A FONO DISSE! "A fono disse que já pode ir pro peito", " a fono disse para pedir o bico ortodôntico", "a fono disse que não precisa de intermediário", "a fono disse que não pode falar errado com a criança", "a fono disse pra voltar daqui seis meses"; "a fono disse que comer maçã faz bem pra voz", "a fono disse pra não fazer assim", "a fono disse pra fazer assado"! Tem vez até que falam que a fono disse coisas que ela não disse, tamanha é essa fama de fono falar!

Bem quando vejo alguém dizer A FONO DISSE, sinto que a informação teve peso suficiente para ser repassada! É essa a idéia do blog! Também acho super carinhoso chamar a gente de FONO, mesmo sabendo que o apelido exclui a parte audiológica, que tanto amo, da nossa atuação.  Agora o blog se chama "A fono disse", porque eu acho mais meigo, menos formal e mais usual!

Então... por exemplo, agora vocês podem dizer que aquela Fono, do blog A FONO DISSE, disse que: não paga nada deixar um comentário aqui para fazer uma blogueira feliz!






quarta-feira, 23 de abril de 2014

Paciente do dia: ElePod!


Não resisti! Tive que pedir pra Luciana, mãe do fofo do Jonathas, deixar eu registrar e compartilhar o #lookdodia! Ele estava uma lindeza só combinando o azul dos olhos com o da roupa! E que divertida a camiseta: "iPood, change me"!

Aqui vai a tradução pra quem não entende inglês: iPod = dispositivo para ouvir música); I = eu; Pood = fiz cocô; Change me = troque de música... Ou a fralda!!! ;-)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Voz, Audição, Vontade de fazer o bem e Tecnologia = ELO de amor

A voz é como a nossa impressão digital. É ímpar! Cada pessoa tem a sua. Facilmente reconhecemos a nossa voz, ou a voz de uma pessoa conhecida; basta ouvir! Por isso, voz e audição, são para mim habilidades maravilhosas que nos permitem a mágica da comunicação e, consequentemente, a transmissão de mensagens lindas de amor!

Veja neste vídeo, como a voz e a audição, somados a vontade de fazer o bem e a tecnologia, possibilitaram criar o ELO do amor! Assim chamado, o ELO é um ursinho de brinquedo, desenvolvido num hospital referência em tratamento oncológico no Brasil, com o objetivo de proporcionar o envio de mensagens às crianças internadas, que não podem ter contato com outras pessoas devido à debilidade do sistema imunológico.

Me derreti de emoção ao ver este vídeo! Bom mesmo é saber o tanto de gente por aí nesse mundo também dedicado à fazer o bem!



quarta-feira, 2 de abril de 2014

O que queremos no Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo



Hoje é dia 02 de abril, Dia Mundial da Consciência sobre o autismo (Autism Awaraness Day). Eu sou uma das que celebram a conquista desta data: lembro de amigos e pacientes autistas com carinho e faço questão de divulgar para as pessoas o significado desta dia. Sabe por quê? É porque sonho com a inclusão e sei que para incluir é necessário saber lidar com o outro. 

O fato é que ninguém nasce sabendo lidar com uma doença ou uma deficiência... mal sabemos lidar com as diferenças na personalidade daquele que amamos, imaginem com as limitações físicas e intelectuais de um desconhecido!? Para saber lidar é preciso estudar, pesquisar, ou trabalhar com isso... é preciso escolher lidar com gente, com doença e com deficiência. Para tanto existe a Medicina, a Fonoaudiologia, a Psicologia, a Psiquiatria. Estou aqui para ensinar a família, os amigos, e a sociedade a lidarem com várias diferenças e doenças, incluindo o autismo.


Muitas são as pessoas de corações abertos para se relacionar com as deficiências e diferenças do outro! Felizmente o mundo está cheio de gente linda! Mas mesmo essas pessoas lindas, as vezes se afastam de uma criança autista, pelo simples fato de não saberem se relacionar com ela. E o fato é que isso piora muito o quadro autista, pois a principal dificuldade dela é interagir com o outro. 


Se ela não pode interagir com você - por uma limitação que lhe foge do controle - e se você não quer interagir porque não sabe lidar, então temos como consequência o isolamento, a marginalização e a exclusão social. E a partir dai, tudo se agrava: para a criança, porque ela tende a se isolar ainda mais; para você, porque fica ainda mais difícil lidar.


Eu só quero que você saiba que a criança autista quer se relacionar com você e ela quer que você aprenda a se relacionar com ela. Então, hoje é dia de te ensinar peculiaridades na forma de viver que são próprias da criança autista. Aqui vão as "10 coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse"... uma tradução de trechos do livro de Ellen Notbohm. Ela é escritora e colunista americana, mãe de filhos portadores de Autismo e Déficit de Atenção e Hiperatividade. 



Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse
Tradução livre de Andréa Simon



1) Antes de tudo eu sou uma criança.

Eu tenho Autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu carácter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?



2) A minha percepção sensorial é desordenada.

Interacção sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfacto, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia-a-dia podem ser dolorosas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, telemóveis tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controlo. O meu olfacto pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco; a pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje; o bébé ao lado pode estar com uma fralda suja; o chão pode ter sido limpo com amónia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afecta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.



3) Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer) 

Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim.
Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo directamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.


4) Eu sou um "pensador concreto". 

O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstracções.
Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar"quando não há nenhum a mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso é algo fácil de fazer. Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indirectas, sarcasmo eu não compreendo.



5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.

Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retracção, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por um outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exactamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.



6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.

Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer.

E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes ajudam-me a aprender. Um esquema visual ajuda-me durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda- me a ter uma transição mais fácil entre uma actividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas actividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.


7) Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.

Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado?

Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.


8) Por favor, me ajude com as interacções sociais.

Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham actividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorrega não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?".


9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controlo.

Perda de controlo, "chilique", birra, má-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo. Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e actividades. Você encontrar uma sequência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.


10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.

Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse..." ou "Porque ele não pode..." Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda as minhas hipóteses de alcançar uma vida adulta digna serão pequenas. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa.
Eu prometo: EU VALHO A PENA.


E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência.

Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma incapacidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu. Talvez seja verdade que eu não seja bom no contacto olho-no-olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (eles também tinham Autismo), uma possível resposta para Alzheimer, o enigma da vida extraterrestre, etc. - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base.
Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protector seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir. CONTO COM VOCÊ!!! 

domingo, 23 de março de 2014

MAMA-SUTRA! Vamos falar sobre posições para amamentar?




Gente, vi este quadrinhos na internet e adorei a piada! Esse négocio de amamentar não é mole, não!  Eu sei! As vezes é preciso fazer mama-labarismos!

Algumas mãezinhas, minhas pacientes, já me confessaram que no início eram muito resistentes em aceitar minhas orientações porque me achavam muito novinha (oba!) e sabiam que eu não tinha filhos para saber exatamente o que é a experiência da amamentação - nunca sei como elas descobrem esse segredo ;-)! No final, elas se surpreendiam como "a fono sabe das coisas" e faz diferença no processo de estabelecer o aleitamento materno! Adoro ouvir todos estes depoimentos, tirar ou estar na foto da primeira mamada do bebê e comemorar junto com a família o dia da alta do bebê que "agarrou" no hospital pela dificuldade de se alimentar! Só tenho a agradecer a todas as mães por dividirem comigo esta experiência e dizer que me sinto muito especial em poder ajudar a conquistar o sonhado ato de AMARmentar!

Dentre as coisas que a FONO sabe... a dica que eu quero compartilhar com vocês é que, em termos de mama-labarismos ou mama-sutra, quase todas as posições para amamentar valem! Pode escolher seu jeito, seu lado, seu braço, seu peito favorito para amamentar! Só NÃO vale deixar o bebê mamar DEITADO!

Além do risco de engasgar e dos problemas de refluxo, quando o bebê mama deitado, ou seja, completamente horizontalizado no colo ou na cama, o leite pode escorrer lá pra dentro do ouvido e causar problemas de audição. Isso ocorre porque todos nós temos um canal que comunica o ouvido com o nariz e a boca, que serve para "ventilar o ouvido"; no bebê, a posição deste canal facilita a passagem de leite que vem da boca ou catarro que vem do nariz para o ouvido. O acúmulo de líquido no ouvido, pode causar um grande problema. Imaginem só: o ouvido é um buraquinho pequenininho e quente... quando está úmido torna-se um berço para bactérias que causam infecção de ouvidos crescerem. Essa é uma das principais causas de OTITES!

Episódios de otites - além de levarem desconforto para o bebê, que pode sentir dor, ter mal cheiro no ouvido e apresentar febre - podem causar perda de audição. Muitos bebês falham no Teste da Orelhinha por causa de posição inadequada para amamentar, acreditam? Ou seja, mamar deitado causa alterações na audição antes mesmo do primeiro mês vida. Nesta fase, a maioria destas alterações pode se reverter após a adequação da prática de amamentar. Orientamos as mães e, comumente, os bebês apresentam resultados normais no reteste da orelhinha depois de 15 dias. Infelizmente, alguns outros vão precisar de tratamento otorrinolaringológico a longo prazo... e podem necessitar até mesmo de cirurgia!

Faça sua parte, mãe! Alguns problemas de audição, incluindo alguns tipos de otites, são causadas por motivos diversos que as vezes nem a medicina explica! Outros, são passíveis de prevenção. Não permita que seu bebê mame deitado! Se o sono bater e você não conseguir se levantar ou se assentar para amamentar, posicione um travesseiro abaixo da cabeça do bebê, de modo que ele fique na posição bem inclinada.

Você, mãe, que tiver tiver dificuldade para amamentar, procure um especialista! Não desista, seu bebê agradece!



quarta-feira, 12 de março de 2014

Mamãe, explica pra vovó que não pode aumentar o tamanho do furo da mamadeira!!!!

Muita gente pensa que as Fonos têm pavor de chupeta e de mamadeira! Não é bem assim! Só acho que o Ministério da Sáúde deveria escrever uma portaria, proibindo a comercialização de chupetas e mamadeiras sem prescrição do fonoaudiólogo! Calma, foi só uma brincadeirinha! :-)

Sobre as chupetas, vou falar outro dia (prometo!); hoje eu só quero falar sobre os furos e os bicos das mamadeiras! Não há NADA melhor do que o aleitamento materno; mas, eu sei bem que a mamadeira pode ser a melhor AMIGA da mãe que não pode amamentar, da que precisa trabalhar, da que precisa complementar e outros casos peculiares que contra indiquem o aleitamento materno... 

O famoso bico de silicone ortodôntico
Nestes casos, em geral, o ideal é escolher a mamadeira que tenha o bico de silicone (aquele transparente) e ortodôntico (aquele achatadinho). As fabricantes de mamadeiras oferecem opções de bicos com furos pequenos, para líquidos ralos, e com furos maiores, para líquidos engrossados. Além disso é importante escolher o bico de acordo com a idade do bebê! Cuidado para não escolher aqueles bicos redondinhos, que parecem mais com o bico do seio da mãe, mas tendem a pressionar o céu da boca até alterar a estrutura óssea da face! Fazendo a escolha certa, não será necessário aumentar o furo, preservando o cuidado das fabricantes em produzirem bicos que permitam que o exercício de sucção na mamadeira se aproxime da função de sugar o peito da mãe.

O exercício de sugar é extremamente importante para o bebê desenvolver os músculos da face e os dentes, favorecendo o desenvolvimento harmônico das habilidades motoras orais: mastigar e falar, principalmente! Furos aumentados ou bicos de mamadeira muito mole "facilitam a vida do bebê", que muitas vezes nem precisa sugar para extrair o líquido da mamadeira - o que pode acarretar em engasgos, tornar os músculos da face fraquinhos e, consequentemente, causar trocas na fala,  dificuldade para iniciar alimentação de sólidos, respiração oral, roncos, e outros!

Por isso, mamãe, explica pra vovó que não pode cortar o furo da mamadeira! E se não colar, convida ela para seguir o meu blog! :-)






PS.: Mamãe, se você tiver um filho especial - que tenha o diagnóstico de síndrome, prematuridade extrema ou  lesão neurológica - consulte um fonoaudiólogo para orientações específicas!






Meu sentido na Fonoaudiologia

Detalhe da pintura de Michelangelo, A criação de Adão (Itália, Capela Sistina, 1512)

Hoje li uma frase que me fez lembrar daquela pintura do Michelangelo (A criação de Adão) e da minha prática como Fonoaudióloga:

"Eu acredito que o sentido da vida seja dar sentido a outras vidas".

Embora pareça pretensioso, eu acredito que a cada encontro, com cada paciente,  eu tenho a oportunidade de "dar sentido" a vida de alguém. A minha prática - as orientações, as prescrições, os laudos diagnósticos - é muitas vezes repetitiva, mas significa  a mudança de hábito e a melhoria na qualidade de vida do paciente de uma forma única! Daí me sinto tão privilegiada por poder oferecer a uma vida a possibilidade de viver melhor e tão abençoada ao receber a gratidão do paciente, que vejo que a minha profissão também leva um sentido maravilhoso à minha própria vida.

Esses encontros, trocas e toques me fazem uma profissional muito feliz! Tenho certeza que meus colegas profissionais de saúde também compartilham este sentimento. Por isso, exteriorizo aqui no blog! Obrigada por lerem esta postagem e as outras, me permitindo levar um pouco da minha prática e abrir meu coração! Fiquem a vontade para abrirem seus corações também! 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Elas podem mudar o mundo

Eu desde criança, já gostava de cuidar de criança. Fui monitora da educação infantil quando estudante do colegial, au pair nos Estados Unidos, e acabei escolhendo uma profissão que eu pudesse facilmente ficar perto desta luz pura e irradiante que é a infância... Me especializei em Saúde da Criança, para contribuir na qualidade de vida destas criaturinhas cheias de lições para passar para os adultos. Compartilho essa música que eu amo, cantada por um coral infantil na propaganda de um banco. Me emociono toda vez que escuto! Coloque o som no máximo e fique com os versos na cabeça! Yes, they can change the world!



quarta-feira, 10 de julho de 2013

SaLuT! Beber VINHO faz bem pra AUDIÇÃO

Olha eu lá em Napa Valley... 
Hoje fui almoçar num restaurante que estampava na entrada uma reportagem com a seguinte manchete: "RESVERATROL PRESERVA A AUDIÇÃO". Fonoaudióloga que sou, e amante de vinho, tive que investigar a fundo esta história!

A reportagem dizia que o resveratrol - substância  presente na uva e, portanto, no vinho - inibe os radicais livres e uma enzima chamada COX-2, que podem causar prejuízos na capacidade de ouvir. A reportagem deixou claro que a substância só é encontrada no vinho tinto (que pena!) e que, para obter o benefício,é necessário ingerir uma quantia bem alta. 

O estudo foi realizado no Departamento de Otorrinolaringologia/ Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Henry Ford, nos Estados Unidos. Ele mostra que ratinhos saudáveis, quando receberam o resveratrol antes da exposição ao ruído intenso e contínuo, estiveram menos propícios a sofrerem dos efeitos da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). Os bichinhos tratados com resveratrol tiveram um índice de perda auditiva 50% menor. No experimento, o extrato de resveratrol foi transformado em cápsulas: 3 pílulas carregam o equivalente a 288 taças de vinho! 

É... se a gente tiver que beber tudo isso, eu diria que a gente vai morrer rápido, ouvindo bem e, quem sabe, muiiiiito feliz!

Para quem quiser conhecer o artigo original (eu achei! :-), ele foi publicado no jornal Otolaryngology - Head and Neck Surgery. Aqui vai o link   http://oto.sagepub.com/content/148/5/827.abstract. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Fiz um poema














RN de UTI
Patrícia Ribeiro, Maio 2013

Vida, vida, ida e vinda
Sabe lá quanto vai durar
Mas há de começar,
em algum lugar

Instinto, viver
Sinto muito, doer
É preciso crescer,
Pra sobreviver

Pequeninos tão fortes
Grandes enfraquecidos
Insensíveis fingidos
Uniformizados humanizados

Sonhos banais
respirar, alimentar, eliminar
um dia reais?

Confiar e questionar
perguntar e calar
Rezar e aceitar
tocar e não tocar
ajudar e esperar;
mas Não comparar

Ida, vinda
assim, assado
isso, aquilo
perdeu, ganhou

...tudo há de acabar
pra só começar...

Sem palavras...

Esse filme fala por si só. Deixo para reflexão.



sábado, 2 de março de 2013

Se for fazer "Teste da Orelhinha", que seja bem feito!

Microfonia Coclear: Não dá para confiar só na EOA! Mas que é lindo de se ver o funcionamento do corpo humano, isso é!

A gente já nasce e tem que "passar" em um monte de teste. Hoje em dia o recém-nascido (RN) passa por várias triagens, com o objetivo de verificar doenças, deficiências ou alterações que possam ser diagnosticadas e tratadas precocemente. Começou com o "Teste do Pezinho" e agora já temos o "da Orelhinha", "do Olhinho", "da Linguinha", "do Coraçãozinho"... Certamente, são avanços da medicina que vieram para promover o desenvolvimento biopsicosocial saudável da criança.

A regularização e, portanto, obrigatoriedade das triagens dos recém-nascidos nos hospitais públicos e privados demandou muitos estudos e discussões, com vistas a identificar a relevância e a viabilidade dos exames de triagem do RN. Pesquisadores, políticos e entidades de classe - por exemplo, as Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Oftalmologia, Cardiologia - precisaram se unir para regulamentar os projetos de leis voltados à saúde da criança. Hoje, temos grandes conquistas, e me orgulho por poder participar da prática, das discussões, pesquisas e regulação do Programa de Triagem Auditiva Neonatal em Minas Gerais.

O que me preocupa, entretanto, são os hospitais e serviços que estão realizando a Triagem Auditiva Neonatal, o famoso "Teste da Orelhinha", sem os critérios clínicos estabelecidos, visando apenas cumprir a lei ou garantir mais uma forma de lucro. Na prática, vejo no Serviço de Diagnóstico Audiológico Infantil onde eu trabalho, onde recebemos para diagnóstico as crianças que falharam à triagem, que alguns profissionais estão despreparados para desempenhar essa importante tarefa. 

As diretrizes recomendadas pelo Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) e Comitê Multiprofissional de Saúde Auditiva (COMUSA) devem ser criteriosamente seguidas. É importante invenstigar com propriedade a presença de Indicadores de Risco para a Perda Auditiva. Consanguinidade, Hiperbilirrubinemia com Transfusão Extrasanguíneo e Antecedentes Familiares com Perda Auditiva, por exemplo, são frequentemente despercebidos. A identificação de tais indicadores é muito importante, pois as crianças que os apresentam necessitam retornar para consultas de acompanhamento do desenvolvimento auditivo, mesmo quando apresentam resultados normais à TAN. Apesar da cóclea, órgão sensorial da audição, estar completamente desenvolvido desde a vida intra-uterina, a maturação das vias auditivas centrais inicia-se após o nascimento e completa-se por volta dos 18 meses de vida pós-natal. Por isso, é possível desenvolver alterações auditivas após o nascimento, que podem não ser inicialmente perceptíveis ao olhar dos pais.

Me preocupa, sobretudo, os serviços que estão realizando a TAN utilizando-se exclusivamente da pesquisa das Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA). A observação de respostas comportamentais auditivas, especialmente a pesquisa do Reflexo Cócleo-Palpebral (RCP) é de suma relevância e é diretriz definida pela COMUSA. Atenção, mamães!!! Ao acompanhar seus nenéns ao Teste da Orelhinha, observe ou pergunte sobre o "barulho que faz o neném piscar"! Outro dia, recebemos no nosso serviço, uma criança que passou no Teste da Orelhinha, realizado exclusivamente com a pesquisa das EOA. Os pais, que já tinham uma outra criança com deficiência auditiva, atentaram-se ao comportamento auditivo atípico da criança e nos procuraram mesmo com os resultados "normais" à TAN. Após uma série de exames - EOA Transientes presentes, RCP ausente, Respostas Comportamentais Auditivas Inadequadas para Sino, Ausência de formação de ondas I, III e V ao PEATE com presença de Microfonia Coclear - identificamos nela a presença do que chamamos de Neuropatia, ou seja, uma Perda Auditiva Central. Dentre as perdas auditivas, o prognóstico é um dos mais reservados. É preciso tratamento intenso para estimular a oralidade por leitura orofacial. Em alguns casos, o Implante Coclear também pode ser uma alternativa terapêutica.

A história me comoveu; fico triste em saber que, se o RCP tivesse sido pesquisado, o diagnóstico poderia ter sido fechado mais precocemente. Por isso, faço este apelo aqui no blog: 

Se for fazer Teste da Orelhinha, que seja bem feito!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trabalhando e Aprendendo... lições além das referências bibliográficas

"A melhor forma de se encontrar é se perder servindo ao próximo"
(Mahatma Gandhi). Foto: Retirada da página da Operation Smile no Facebook

Hoje, na correria pra lá e pra cá pelo Hospital, dei de cara com um garotinho de aproximadamente 1 aninho que sorria com os olhos para mim. Reconheci aquele olhar. Era um dos bebezinhos prematuros - nascido com 20 poucas semanas de idade gestacional e Muitíssimo Baixo Peso - que atendi no CTI neonatal e no Ambulatório Orelhinha. Ele lutou bravamente para sobreviver e voltava ali, hoje, junto da mamãe, para nos presentear com a demonstração daquilo que chamamos de força de vontade para viver. É um aprendizado sem fim rever essas crianças que conheceram o sofrimento tão cedo na vida e superaram! Fica a lição: querer viver é um instinto; não há que se pensar, basta aceitar que é humano a constante busca pelo bem estar.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fonoaudiologia, O Sucesso é para os Fortes

09 de Dezembro, Dia do Fonoaudiólogo. Como bem colocou Jean Dominique Bauby em "O Escafândro e a Borboleta", "a Fonoaudiologia é uma arte que merecia ser mais amplamente conhecida". Mas, ela necessita também ser bem mais valorizada. Tem gente que nem sabe dizer ou escrever a palavra Fo-no-au-di-o-lo-gia... Quantas vezes não recebi encaminhamentos de colegas endereçados ao "Fonodiólogo" ou "Fonadiólogo"?

Eu mesma era uma das quem não sabia sequer o que fazia o Fonoaudiólogo quando marquei no vestibular a opção que hoje me traz aqui. Quem sabe o que quer fazer da vida aos 16 anos? Poucos - e eu não era uma dessas. Só sabia que queria cuidar de gente. Eu odiava química (e sangue); Medicina não era para mim. Então, precisei dos conselhos da diretora da escola no programa de orientação vocacional. Ela sabia que eu tinha jeito com crianças e, naquela época, a ciência da reabilitação estava em alta. Eu sabia também que não queria fazer Fisioterapia porque essa era a opção da maioria e eu queria, como sempre, ser diferente! Era fundamental também que a universidade escolhida fosse em outra cidade, no mínimo na capital do estado! Dei uma olhada na grade curricular do curso sugerido pela diretora pedagógica e me atraíram as palavras Voz, Linguagem, Motricidade Orofacial, Linguística... Isso foi o suficiente para marcar o X e seguir.

No último ano de curso, eu tinha, assim como todos colegas, muito medo do que iria encontrar fora da Universidade. Ora! A reabilitação estava na moda na época em que eu entrei na faculdade; depois de quatro anos, haviam muitos (muitos mais, mesmo!) profissionais no mercado. Sendo a mais nova da turma, com 20 anos, eu não estava pronta para lidar com isso. Acabei trancando a faculdade. Precisei de um tempo, no qual encontrei pelo caminho uma criança muito especial. Ela me fez lembrar o quão maravilhoso e gratificante é a oportunidade de criar meios de comunicação para expressar necessidades físicas e, principalmente, emoções. Neste mesmo tempo, estive no exterior e conheci uma Fonoaudiologia diferente: muito valorizada no mercado de trabalho e fortemente baseada em evidências científicas, o que me levou à  certeza de que eu poderia alcançar o sucesso com a minha profissão.

O sucesso ainda não chegou e foi duro formar. Percebi que haviam não somente muitos profissionais disponíveis no mercado, como também muitos espaços carentes da intervenção do Fonoaudiólogo e de portas fechadas para nos receber. Percebi que seria (e ainda é) muito necessário fazer um trabalho massante de divulgação da profissão, ainda tão recente no Brasil, e apresentar evidências da nossa eficiência. Para tanto, percebi a necessidade da união da classe, o que eu descobri ser um outro grande desafio, tamanha a competitividade por uma boa colocação no mercado atual! Também percebi que eu teria que investir em muito mais estudo, para ser capaz de apresentar tais evidências científicas e conquistar uma das poucas vagas no mercado que atualmente oferecem um salário digno do meu ofício.

Não desanimei. Mirei nos fortes fonoaudiólogos ao meu redor, nos que estiveram nesta busca antes de mim e que alcançaram o sucesso que eu gostaria de ter. Faço questão de citar pessoas que muito me inspiraram: as professoras Ana Tereza, Cláudia Barros, Fernanda Abalen, Camila Di Nino e Carla Menezes, além dos fonoaudiólogos Raimundo Neto e Fabrícia Araújo. Eles enfrentaram um mercado menos competitivo quando iniciaram a carreira, mas precisaram conquistar uma sociedade muito menos esclarecida sobre a ciência fonoaudiológica e um modelo de intervenção tradicionalmente médico centrado, e não multiprofissional. Também me apeguei às experiências de sucesso apresentada nos congressos e cogitei até seguir a carreira no exterior! Cheguei, portanto, à conclusão de que o sucesso da Fonoaudiologia é para os fortes fonoaudiólogos que conquistam uma sociedade, buscam evidências e até abrem mão de suas origens para seguir carreira mundo afora.

Enquanto o sucesso não vem, o que tenho hoje é o amor pelo meu trabalho e a gratidão dos pacientes pela minha intervenção e carinho. Isso me dá muita disposição e a força necessária para tentar conquistar uma sociedade ainda pouco esclarecida. Este blog, por exemplo, é uma estratégia de divulgação da Fonoaudiologia. Para conquistar um mercado de trabalho injusto, entretanto, é necessário unir forças de classe e dos demais profissionais da saúde. É decepcionante e indignante a desvalorização dos profissionais da saúde, em geral, no nosso país. O mesmo país que se orgulha de possuir um Sistema ÚNICO de Saúde, que oferece atendimento - integral, universal, igual - e  gratuito à população, não valoriza os profissionais que dele fazem parte e lutam bravamente para fazê-lo funcionar com mínimos recursos.

O ex-presidente Lula participou de uma campanha de sensibilização quanto aos cuidados da voz e demonstrou gratidão pelo atendimento recebido pelo fonoaudiólogo durante o tratamento de seu câncer de laringe, numa tentativa de valorizar a nossa profissão. Isso foi muito pouco e a classe necessita ser forte para cobrar ações. Como pode, por exemplo, o presidente do país permitir a publicação de editais de concurso público oferecendo vagas para um Fonoaudiólogo receber R$ 600 para trabalhar uma jornada de 20 horas semanais? Isso não chega nem perto da metade do investimento mensal que destinei aos meus estudos. Como podem então os gastos com estudos serem tão caros? Eu poderia prosseguir a minha indignação, com muitos outros questionamentos e exemplos de desrespeito com a nossa profissão e todo o investimento nela feito por nós. Há muito o que se falar. Mas quero apenas convidar os colegas fonoaudiólogos que almejam o sucesso a refletirem sobre a necessidade de unir forças para alcançar o sucesso de toda uma classe.

Os Fonoaudiólogos de sucesso que conhecemos foram muito fortes. Nós que estamos ainda buscando este sucesso, precisamos ser ainda mais.











terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Adoro os vídeos educativos do Dr. Selinger (Em inglês)

Dr. Craig Selinger é um fonoaudiólogo americano que produz vídeos educativos para o site About.com, com o objetivo de orientar pais a estimular a Fala e Linguagem da criança. Eu adoro esses vídeos e compartilho aqui alguns deles para os papais e mamães fluentes em inglês! Precisamos achar um Fonoaudiólogo brasileiro para fazer uns vídeos desses. Alguém se candidata? 





domingo, 28 de outubro de 2012

Palavras de conforto e força



Hoje eu só quero contar uma pequena história que li, inspiradora... para levar palavras de conforto e força para todos que estiverem enfrentando algum tipo de batalha, em especial a favor da saúde. Espero que, assim como a mim, esta história lhe emocione e motive. ;-)
Today I only wanna share with you a special story, that really inspired me... to allow you read some words of confort and strenght, for whoever is dealing with some sort of battle, specially if you are fighting against any disease. I hope you like it as much as I did!


Havia uma mulher que um dia, pela manhã, ao levantar-se, olhou-se no espelho e percebeu que tinha apenas três fios de cabelo restantes. "Bem", disse ela, "Eu acho que vou ter que fazer uma trança hoje". Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.
There once was a woman who woke up one morning, looked in the mirror, and noticed she had only three hairs on her head. "Well," she said, "I think I'll braid my hair today." So she did and she had a wonderful day. 

No dia seguinte ela levantou-se, olhou-se no espelho, e viu que tinha apenas dois fios de cabelo. "Hummm", ela disse, "Eu acho que vou ter que partir meu cabelo ao meio hoje." Assim ela fez e teve um grande dia.
The next day she woke up, looked in the mirror and saw that she had only two hairs on her head.
"H-M-M," she said, "I think I'll part my hair down the middle today." So she did and she had a grand day. 
No dia seguinte, ela levantou-se, olhou-se no espelho, viu que tinha apenas um único fio de cabelo. "Bem", disse ela, "Hoje eu vou ter que fazer um rabo de cavalo". Assim ela fez e teve um dia divertidíssimo.
The next day she woke up, looked in the mirror and noticed that she had only one hair on her head.
"Well," she said, "today I'm going to wear my hair in a pony tail." So she did, and she had a fun, fun day.


 No dia seguinte, ela levantou-se, olhou-se no espelho e percebeu que ela não tinha sequer um único fio de cabelo na cabeça. "Oba!", ela exclamou, "Hoje eu não tenho que pentear o meu cabelo!"
The next day she woke up, looked in the mirror and noticed that there wasn't a single hair on her head. "YAY!" she exclaimed. "I don't have to fix my hair today!"
Atitude é tudo. 
Attitude is everything.


Seja  mais amável do que o necessário, com todas as pessoas que você encontrar que esteja lutando alguma batalha.
Be kinder than necessary, for everyone you meet is fighting some kind of battle .



Viva humildemente, Ame generosamente, Cuide profundamente, Fale gentilmente. Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender a dançar sob a chuva.
Live simply, Love generously, Care deeply, Speak kindly. Life isn't about waiting for the storm to pass... It's about learning to dance in the rain.


sábado, 13 de outubro de 2012

Pimentas e Saúde Mental

A minha querida amiga Maíra Barczewski me deu te presente de aniversário um livro de crônicas, Pimentas: para provocar um incêndio, não é preciso fogo, do sábio Rubem Alves. Ainda estou me deliciando páginas a dentro deste livro reflexivo e envolvente, mas acho que já passei pela minha crônica favorita: Capítulo 5. Saúde Mental.

Eu não gosto muito de publicar postagens CTRL+C/ CTRL+V - aquelas que a gente compartilha qualquer bobeira que outras pessoas estão escrevendo por aí, ao invés de dar a cara a tapas escrevendo o que a gente pensa - mas... eu acho que vai ser válido usar Rubem Alves na minha tentativa de promover saúde por meio do blog. Aliás, a rotina de trabalho tem me consumido e eu não tenho tido tempo para postar informações e experiências que eu gostaria de compartilhar por aqui. Então, não vou perder a oportunidade de fazer pelo menos essa postagem CTRL+C/ CTRL+V! ;-)

Não entendo muito bem como funciona a legislação sobre direitos autorais, mas acho que não é crime compartilhar um capitulozinho do livro por aqui - na melhor das intenções! Aqui vai... com licença, Sr. Rubem Alves...


Saúde Mental
Rubem Alves

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecilia Meireles sofria uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou-se. Todas elas, pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem-unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa.

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. 

Somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais"- símbolos que formam os programas e ficam gravados na memória do computador.

Nós  também temos um hardware e um software.O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Assim como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem. 

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco, há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software, há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das pertubações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas. 

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e de se comover. Imagine mais, que a beleza seja tão grande que o hardware não a comporte e se arrebente de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. E muito cuidado com a música! Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir pensamentos Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o software pensará sempre coisas iguais. E há os programas obrigatórios de televisão, especialmente no vazio dos domingos.

Seguindo essa receita, você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas, como você cultivou a insensibilidade, não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus SONHOS. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram. 











terça-feira, 15 de maio de 2012

Palavra de fonoaudióloga sobre o Uso de COTONETES na orelha: NÃO USE!



"Estão fazendo a higiene das orelhinhas"? Sempre faço esta pergunta aos pais quando recebo recém-nascidos para a Triagem Auditiva Neonatal - o famoso "Teste da Orelhinha". As respostas são as mais diversas e me levaram a concluir que a obsessão pela higiene é uma cultura cultivada no brasileiro desde o nascimento. (Sim! somos obsecados por banho e por jogar água em tudo... hábitos pouco comuns mundo afora! ;-)


Muitos pais, receosos que eu lhes recrimine por não cuidarem bem da higiene do bebê, me respondem que "Sim, estamos fazendo a higiene das orelhinhas", mas eu percebo que "Não, sequer pensei que isso fosse necessário". É claro que eu não lhes condeno, pois sei que a chegada de um bebê no lar é um processo de adaptação e aprendizagem... e eu adoro lidar com esses recém "papais" e "mamães"! Outros (muitos) pais, me respondem que "Sim" e explicam como: "Devagarzinho, com cotonetes" . Poucos são os pais conscientes sobre a forma correta, quando realmente necessária, da higienização das orelhinas do recém nascido e até mesmo das nossas "orelhonas"!

Em se tratanto de orelhas, os cuidados de higiene são bem simples para qualquer idade. É importante saber, sobretudo, que a cera não é sinal de sujeira, muito menos de descuido. Ao contrário, recobrindo o conduto auditivo, a presença de cera confere proteção às orelhas quanto à entrada de microorganismos que causam infecção. Quando em excesso, normalmente, a cera é expelida naturalmente pela orelha; entretanto, algumas pessoas podem precisar de ajuda médica para retirá-la... e não de cotonetes.

O uso de cotonetes, com o objetivo de retirar a cera do ouvido, pode causar prejuízos à audição. Os adeptos dessa prática precisam entender que, ao contrário do que imaginam, a inserção do cotonete não é capar de puxar a cera de dentro para fora; ao contrário, ele tende a empurá-la para dentro da orelha, dificultando a expulsão natural e, consequentemente, favorecendo a formação de "rolhas de cerúmen." Essas rolhas, que são como bolinhas de cera que tampam o conduto auditivo, causam a diminuição da audição.

Outro risco relativo ao uso do cotonete é o de lesar as estruturas da orelha, especialmente a membrana timpânica. Mesmo que "Devagarzinho" ou "Com cuidado" o risco existe, especialmente em se tratando de crianças que não se aquietam!!!! Por isso, não se estresse em limpar as orelhas! O ideal é fazer a higiene apenas do pavilhão auricular (a parte externa da orelha), com o auxílio de uma gaze ou a pontinha de uma fralda umedecida com água. Relaxe, deixe com a própria orelha o trabalho de expelir o excesso de cera!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Universo Autista, por Miguel Gallardo



Aproveitando que ainda estamos no mês de conscientização sobre o Autismo, hoje gostaria de compartilhar com vocês um vídeo emocionante do artista espanhol Miguel Gallardo. Pai de Maria, uma criança portadora deste transtorno, ele retrata no vídeo o universo autista. 


Gallardo recebeu vários prêmios na Europa. Não só pelo vídeo, mas também pela autoria do livro "Maria e Eu", no qual ele descreve uma semana de férias com a filha, apresentando as peculiaridades de uma criança autista e o olhar dos outros para os portadores de autismo. (Leia mais em 'María e Eu', BD sobre autismo, apresentada segunda-feira em Lisboa' ).


Achei o vídeo muito explicativo; por isso, dele me utilizo para  promover a conscientização sobre o Autismo este ano no blog. Seja solidário com a causa, dedicando 5 minutinhos do seu dia para entender sobre este transtorno invasivo do desenvolvimento! Consciência evita o preconceito!


Obrigada!  




quinta-feira, 22 de março de 2012

Conhecendo a Fonoaudiologia mundo a fora


Aproveito o blog para compartilhar uma lista de links das mais diversas organizações relacionadas a Fonoaudiologia no mundo.

Esta postagem será uma boa ajuda pra você que está à procura de uma experiência profissional ou acadêmica internacional... e um bom lugar para eu mesma salvar meu links favoritos! À medida que eu souber de outras organizações, irei adicionando aqui! Se você conhece algum link interessante, por favor, compartilhe também, deixando um comentário! ;-)


FonoAudiologia



Audiologia

International Society of Audiology

Hearing International

Audiology OnLine

Academia Brasileira de Audiologia (Brasil)

MRC Institute of Hearing Research (Reino Unido)

British Society of Audiology (Reino Unido)

Canadian Hearing Society (Canadá)

Canadian Audiology (Canadá)
Société Française d´Audiologie (França)

Hong Kong Society of Audiology (Japão)

American Academy of Audiology (Estados Unidos)

Deutche Gesellschaft für Audiologie (Alemanha)

Associação Portuguesa de Audiologistas (Portugal)

National Center of Hearing Assessment and Management (Estados Unidos)


Logopedia


Royal College of Speech and Language Therapists (Reino Unido)

Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala (Portugal)

Federazione Italiana Logopedisti (Itália)

Col legi de Logopedis de Catalunya (Espanã/ Catalunya)

Deutche Gesellshaft für Sprachheilpäedagogik (Alemanha)

Fédération Nationale des Orthophonistes (França)


Formação Profissional


Escola del Patologia del Llenguatge/ Hospital de la Santa Creu i Sant Pau - Universitat Autònoma di Barcelona

The Ear´s House

Neonatal Oral Motor Assessment Scale

Bobath Centre 

Institut Guttmann - Hospital de Neurorehabilitación

Castillo Morales Therapeutic Concept

The Hanen Centre


Oportunidades de Emprego

NHS Careers

Mediplacement