"Fonoaudiologia é uma arte que merece ser mais amplamente conhecida. Você não pode imaginar as acrobacias que sua língua mecanicamente executa para produzir todos os sons da linguagem”, Jean Dominique Bauby, foi Editor Chefe da Revista ELLE em Paris, após ter um AVE e precisar de tratamento fonoaudiológico.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sem palavras...

Esse filme fala por si só. Deixo para reflexão.



sábado, 2 de março de 2013

Se for fazer "Teste da Orelhinha", que seja bem feito!

Microfonia Coclear: Não dá para confiar só na EOA! Mas que é lindo de se ver o funcionamento do corpo humano, isso é!

A gente já nasce e tem que "passar" em um monte de teste. Hoje em dia o recém-nascido (RN) passa por várias triagens, com o objetivo de verificar doenças, deficiências ou alterações que possam ser diagnosticadas e tratadas precocemente. Começou com o "Teste do Pezinho" e agora já temos o "da Orelhinha", "do Olhinho", "da Linguinha", "do Coraçãozinho"... Certamente, são avanços da medicina que vieram para promover o desenvolvimento biopsicosocial saudável da criança.

A regularização e, portanto, obrigatoriedade das triagens dos recém-nascidos nos hospitais públicos e privados demandou muitos estudos e discussões, com vistas a identificar a relevância e a viabilidade dos exames de triagem do RN. Pesquisadores, políticos e entidades de classe - por exemplo, as Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Oftalmologia, Cardiologia - precisaram se unir para regulamentar os projetos de leis voltados à saúde da criança. Hoje, temos grandes conquistas, e me orgulho por poder participar da prática, das discussões, pesquisas e regulação do Programa de Triagem Auditiva Neonatal em Minas Gerais.

O que me preocupa, entretanto, são os hospitais e serviços que estão realizando a Triagem Auditiva Neonatal, o famoso "Teste da Orelhinha", sem os critérios clínicos estabelecidos, visando apenas cumprir a lei ou garantir mais uma forma de lucro. Na prática, vejo no Serviço de Diagnóstico Audiológico Infantil onde eu trabalho, onde recebemos para diagnóstico as crianças que falharam à triagem, que alguns profissionais estão despreparados para desempenhar essa importante tarefa. 

As diretrizes recomendadas pelo Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) e Comitê Multiprofissional de Saúde Auditiva (COMUSA) devem ser criteriosamente seguidas. É importante invenstigar com propriedade a presença de Indicadores de Risco para a Perda Auditiva. Consanguinidade, Hiperbilirrubinemia com Transfusão Extrasanguíneo e Antecedentes Familiares com Perda Auditiva, por exemplo, são frequentemente despercebidos. A identificação de tais indicadores é muito importante, pois as crianças que os apresentam necessitam retornar para consultas de acompanhamento do desenvolvimento auditivo, mesmo quando apresentam resultados normais à TAN. Apesar da cóclea, órgão sensorial da audição, estar completamente desenvolvido desde a vida intra-uterina, a maturação das vias auditivas centrais inicia-se após o nascimento e completa-se por volta dos 18 meses de vida pós-natal. Por isso, é possível desenvolver alterações auditivas após o nascimento, que podem não ser inicialmente perceptíveis ao olhar dos pais.

Me preocupa, sobretudo, os serviços que estão realizando a TAN utilizando-se exclusivamente da pesquisa das Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA). A observação de respostas comportamentais auditivas, especialmente a pesquisa do Reflexo Cócleo-Palpebral (RCP) é de suma relevância e é diretriz definida pela COMUSA. Atenção, mamães!!! Ao acompanhar seus nenéns ao Teste da Orelhinha, observe ou pergunte sobre o "barulho que faz o neném piscar"! Outro dia, recebemos no nosso serviço, uma criança que passou no Teste da Orelhinha, realizado exclusivamente com a pesquisa das EOA. Os pais, que já tinham uma outra criança com deficiência auditiva, atentaram-se ao comportamento auditivo atípico da criança e nos procuraram mesmo com os resultados "normais" à TAN. Após uma série de exames - EOA Transientes presentes, RCP ausente, Respostas Comportamentais Auditivas Inadequadas para Sino, Ausência de formação de ondas I, III e V ao PEATE com presença de Microfonia Coclear - identificamos nela a presença do que chamamos de Neuropatia, ou seja, uma Perda Auditiva Central. Dentre as perdas auditivas, o prognóstico é um dos mais reservados. É preciso tratamento intenso para estimular a oralidade por leitura orofacial. Em alguns casos, o Implante Coclear também pode ser uma alternativa terapêutica.

A história me comoveu; fico triste em saber que, se o RCP tivesse sido pesquisado, o diagnóstico poderia ter sido fechado mais precocemente. Por isso, faço este apelo aqui no blog: 

Se for fazer Teste da Orelhinha, que seja bem feito!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trabalhando e Aprendendo... lições além das referências bibliográficas

"A melhor forma de se encontrar é se perder servindo ao próximo"
(Mahatma Gandhi). Foto: Retirada da página da Operation Smile no Facebook

Hoje, na correria pra lá e pra cá pelo Hospital, dei de cara com um garotinho de aproximadamente 1 aninho que sorria com os olhos para mim. Reconheci aquele olhar. Era um dos bebezinhos prematuros - nascido com 20 poucas semanas de idade gestacional e Muitíssimo Baixo Peso - que atendi no CTI neonatal e no Ambulatório Orelhinha. Ele lutou bravamente para sobreviver e voltava ali, hoje, junto da mamãe, para nos presentear com a demonstração daquilo que chamamos de força de vontade para viver. É um aprendizado sem fim rever essas crianças que conheceram o sofrimento tão cedo na vida e superaram! Fica a lição: querer viver é um instinto; não há que se pensar, basta aceitar que é humano a constante busca pelo bem estar.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fonoaudiologia, O Sucesso é para os Fortes

09 de Dezembro, Dia do Fonoaudiólogo. Como bem colocou Jean Dominique Bauby em "O Escafândro e a Borboleta", "a Fonoaudiologia é uma arte que merecia ser mais amplamente conhecida". Mas, ela necessita também ser bem mais valorizada. Tem gente que nem sabe dizer ou escrever a palavra Fo-no-au-di-o-lo-gia... Quantas vezes não recebi encaminhamentos de colegas endereçados ao "Fonodiólogo" ou "Fonadiólogo"?

Eu mesma era uma das quem não sabia sequer o que fazia o Fonoaudiólogo quando marquei no vestibular a opção que hoje me traz aqui. Quem sabe o que quer fazer da vida aos 16 anos? Poucos - e eu não era uma dessas. Só sabia que queria cuidar de gente. Eu odiava química (e sangue); Medicina não era para mim. Então, precisei dos conselhos da diretora da escola no programa de orientação vocacional. Ela sabia que eu tinha jeito com crianças e, naquela época, a ciência da reabilitação estava em alta. Eu sabia também que não queria fazer Fisioterapia porque essa era a opção da maioria e eu queria, como sempre, ser diferente! Era fundamental também que a universidade escolhida fosse em outra cidade, no mínimo na capital do estado! Dei uma olhada na grade curricular do curso sugerido pela diretora pedagógica e me atraíram as palavras Voz, Linguagem, Motricidade Orofacial, Linguística... Isso foi o suficiente para marcar o X e seguir.

No último ano de curso, eu tinha, assim como todos colegas, muito medo do que iria encontrar fora da Universidade. Ora! A reabilitação estava na moda na época em que eu entrei na faculdade; depois de quatro anos, haviam muitos (muitos mais, mesmo!) profissionais no mercado. Sendo a mais nova da turma, com 20 anos, eu não estava pronta para lidar com isso. Acabei trancando a faculdade. Precisei de um tempo, no qual encontrei pelo caminho uma criança muito especial. Ela me fez lembrar o quão maravilhoso e gratificante é a oportunidade de criar meios de comunicação para expressar necessidades físicas e, principalmente, emoções. Neste mesmo tempo, estive no exterior e conheci uma Fonoaudiologia diferente: muito valorizada no mercado de trabalho e fortemente baseada em evidências científicas, o que me levou à  certeza de que eu poderia alcançar o sucesso com a minha profissão.

O sucesso ainda não chegou e foi duro formar. Percebi que haviam não somente muitos profissionais disponíveis no mercado, como também muitos espaços carentes da intervenção do Fonoaudiólogo e de portas fechadas para nos receber. Percebi que seria (e ainda é) muito necessário fazer um trabalho massante de divulgação da profissão, ainda tão recente no Brasil, e apresentar evidências da nossa eficiência. Para tanto, percebi a necessidade da união da classe, o que eu descobri ser um outro grande desafio, tamanha a competitividade por uma boa colocação no mercado atual! Também percebi que eu teria que investir em muito mais estudo, para ser capaz de apresentar tais evidências científicas e conquistar uma das poucas vagas no mercado que atualmente oferecem um salário digno do meu ofício.

Não desanimei. Mirei nos fortes fonoaudiólogos ao meu redor, nos que estiveram nesta busca antes de mim e que alcançaram o sucesso que eu gostaria de ter. Faço questão de citar pessoas que muito me inspiraram: as professoras Ana Tereza, Cláudia Barros, Fernanda Abalen, Camila Di Nino e Carla Menezes, além dos fonoaudiólogos Raimundo Neto e Fabrícia Araújo. Eles enfrentaram um mercado menos competitivo quando iniciaram a carreira, mas precisaram conquistar uma sociedade muito menos esclarecida sobre a ciência fonoaudiológica e um modelo de intervenção tradicionalmente médico centrado, e não multiprofissional. Também me apeguei às experiências de sucesso apresentada nos congressos e cogitei até seguir a carreira no exterior! Cheguei, portanto, à conclusão de que o sucesso da Fonoaudiologia é para os fortes fonoaudiólogos que conquistam uma sociedade, buscam evidências e até abrem mão de suas origens para seguir carreira mundo afora.

Enquanto o sucesso não vem, o que tenho hoje é o amor pelo meu trabalho e a gratidão dos pacientes pela minha intervenção e carinho. Isso me dá muita disposição e a força necessária para tentar conquistar uma sociedade ainda pouco esclarecida. Este blog, por exemplo, é uma estratégia de divulgação da Fonoaudiologia. Para conquistar um mercado de trabalho injusto, entretanto, é necessário unir forças de classe e dos demais profissionais da saúde. É decepcionante e indignante a desvalorização dos profissionais da saúde, em geral, no nosso país. O mesmo país que se orgulha de possuir um Sistema ÚNICO de Saúde, que oferece atendimento - integral, universal, igual - e  gratuito à população, não valoriza os profissionais que dele fazem parte e lutam bravamente para fazê-lo funcionar com mínimos recursos.

O ex-presidente Lula participou de uma campanha de sensibilização quanto aos cuidados da voz e demonstrou gratidão pelo atendimento recebido pelo fonoaudiólogo durante o tratamento de seu câncer de laringe, numa tentativa de valorizar a nossa profissão. Isso foi muito pouco e a classe necessita ser forte para cobrar ações. Como pode, por exemplo, o presidente do país permitir a publicação de editais de concurso público oferecendo vagas para um Fonoaudiólogo receber R$ 600 para trabalhar uma jornada de 20 horas semanais? Isso não chega nem perto da metade do investimento mensal que destinei aos meus estudos. Como podem então os gastos com estudos serem tão caros? Eu poderia prosseguir a minha indignação, com muitos outros questionamentos e exemplos de desrespeito com a nossa profissão e todo o investimento nela feito por nós. Há muito o que se falar. Mas quero apenas convidar os colegas fonoaudiólogos que almejam o sucesso a refletirem sobre a necessidade de unir forças para alcançar o sucesso de toda uma classe.

Os Fonoaudiólogos de sucesso que conhecemos foram muito fortes. Nós que estamos ainda buscando este sucesso, precisamos ser ainda mais.











terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Adoro os vídeos educativos do Dr. Selinger (Em inglês)

Dr. Craig Selinger é um fonoaudiólogo americano que produz vídeos educativos para o site About.com, com o objetivo de orientar pais a estimular a Fala e Linguagem da criança. Eu adoro esses vídeos e compartilho aqui alguns deles para os papais e mamães fluentes em inglês! Precisamos achar um Fonoaudiólogo brasileiro para fazer uns vídeos desses. Alguém se candidata?