"Fonoaudiologia é uma arte que merece ser mais amplamente conhecida. Você não pode imaginar as acrobacias que sua língua mecanicamente executa para produzir todos os sons da linguagem”, Jean Dominique Bauby, foi Editor Chefe da Revista ELLE em Paris, após ter um AVE e precisar de tratamento fonoaudiológico.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trabalhando e Aprendendo... lições além das referências bibliográficas

"A melhor forma de se encontrar é se perder servindo ao próximo"
(Mahatma Gandhi). Foto: Retirada da página da Operation Smile no Facebook

Hoje, na correria pra lá e pra cá pelo Hospital, dei de cara com um garotinho de aproximadamente 1 aninho que sorria com os olhos para mim. Reconheci aquele olhar. Era um dos bebezinhos prematuros - nascido com 20 poucas semanas de idade gestacional e Muitíssimo Baixo Peso - que atendi no CTI neonatal e no Ambulatório Orelhinha. Ele lutou bravamente para sobreviver e voltava ali, hoje, junto da mamãe, para nos presentear com a demonstração daquilo que chamamos de força de vontade para viver. É um aprendizado sem fim rever essas crianças que conheceram o sofrimento tão cedo na vida e superaram! Fica a lição: querer viver é um instinto; não há que se pensar, basta aceitar que é humano a constante busca pelo bem estar.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fonoaudiologia, O Sucesso é para os Fortes

09 de Dezembro, Dia do Fonoaudiólogo. Como bem colocou Jean Dominique Bauby em "O Escafândro e a Borboleta", "a Fonoaudiologia é uma arte que merecia ser mais amplamente conhecida". Mas, ela necessita também ser bem mais valorizada. Tem gente que nem sabe dizer ou escrever a palavra Fo-no-au-di-o-lo-gia... Quantas vezes não recebi encaminhamentos de colegas endereçados ao "Fonodiólogo" ou "Fonadiólogo"?

Eu mesma era uma das quem não sabia sequer o que fazia o Fonoaudiólogo quando marquei no vestibular a opção que hoje me traz aqui. Quem sabe o que quer fazer da vida aos 16 anos? Poucos - e eu não era uma dessas. Só sabia que queria cuidar de gente. Eu odiava química (e sangue); Medicina não era para mim. Então, precisei dos conselhos da diretora da escola no programa de orientação vocacional. Ela sabia que eu tinha jeito com crianças e, naquela época, a ciência da reabilitação estava em alta. Eu sabia também que não queria fazer Fisioterapia porque essa era a opção da maioria e eu queria, como sempre, ser diferente! Era fundamental também que a universidade escolhida fosse em outra cidade, no mínimo na capital do estado! Dei uma olhada na grade curricular do curso sugerido pela diretora pedagógica e me atraíram as palavras Voz, Linguagem, Motricidade Orofacial, Linguística... Isso foi o suficiente para marcar o X e seguir.

No último ano de curso, eu tinha, assim como todos colegas, muito medo do que iria encontrar fora da Universidade. Ora! A reabilitação estava na moda na época em que eu entrei na faculdade; depois de quatro anos, haviam muitos (muitos mais, mesmo!) profissionais no mercado. Sendo a mais nova da turma, com 20 anos, eu não estava pronta para lidar com isso. Acabei trancando a faculdade. Precisei de um tempo, no qual encontrei pelo caminho uma criança muito especial. Ela me fez lembrar o quão maravilhoso e gratificante é a oportunidade de criar meios de comunicação para expressar necessidades físicas e, principalmente, emoções. Neste mesmo tempo, estive no exterior e conheci uma Fonoaudiologia diferente: muito valorizada no mercado de trabalho e fortemente baseada em evidências científicas, o que me levou à  certeza de que eu poderia alcançar o sucesso com a minha profissão.

O sucesso ainda não chegou e foi duro formar. Percebi que haviam não somente muitos profissionais disponíveis no mercado, como também muitos espaços carentes da intervenção do Fonoaudiólogo e de portas fechadas para nos receber. Percebi que seria (e ainda é) muito necessário fazer um trabalho massante de divulgação da profissão, ainda tão recente no Brasil, e apresentar evidências da nossa eficiência. Para tanto, percebi a necessidade da união da classe, o que eu descobri ser um outro grande desafio, tamanha a competitividade por uma boa colocação no mercado atual! Também percebi que eu teria que investir em muito mais estudo, para ser capaz de apresentar tais evidências científicas e conquistar uma das poucas vagas no mercado que atualmente oferecem um salário digno do meu ofício.

Não desanimei. Mirei nos fortes fonoaudiólogos ao meu redor, nos que estiveram nesta busca antes de mim e que alcançaram o sucesso que eu gostaria de ter. Faço questão de citar pessoas que muito me inspiraram: as professoras Ana Tereza, Cláudia Barros, Fernanda Abalen, Camila Di Nino e Carla Menezes, além dos fonoaudiólogos Raimundo Neto e Fabrícia Araújo. Eles enfrentaram um mercado menos competitivo quando iniciaram a carreira, mas precisaram conquistar uma sociedade muito menos esclarecida sobre a ciência fonoaudiológica e um modelo de intervenção tradicionalmente médico centrado, e não multiprofissional. Também me apeguei às experiências de sucesso apresentada nos congressos e cogitei até seguir a carreira no exterior! Cheguei, portanto, à conclusão de que o sucesso da Fonoaudiologia é para os fortes fonoaudiólogos que conquistam uma sociedade, buscam evidências e até abrem mão de suas origens para seguir carreira mundo afora.

Enquanto o sucesso não vem, o que tenho hoje é o amor pelo meu trabalho e a gratidão dos pacientes pela minha intervenção e carinho. Isso me dá muita disposição e a força necessária para tentar conquistar uma sociedade ainda pouco esclarecida. Este blog, por exemplo, é uma estratégia de divulgação da Fonoaudiologia. Para conquistar um mercado de trabalho injusto, entretanto, é necessário unir forças de classe e dos demais profissionais da saúde. É decepcionante e indignante a desvalorização dos profissionais da saúde, em geral, no nosso país. O mesmo país que se orgulha de possuir um Sistema ÚNICO de Saúde, que oferece atendimento - integral, universal, igual - e  gratuito à população, não valoriza os profissionais que dele fazem parte e lutam bravamente para fazê-lo funcionar com mínimos recursos.

O ex-presidente Lula participou de uma campanha de sensibilização quanto aos cuidados da voz e demonstrou gratidão pelo atendimento recebido pelo fonoaudiólogo durante o tratamento de seu câncer de laringe, numa tentativa de valorizar a nossa profissão. Isso foi muito pouco e a classe necessita ser forte para cobrar ações. Como pode, por exemplo, o presidente do país permitir a publicação de editais de concurso público oferecendo vagas para um Fonoaudiólogo receber R$ 600 para trabalhar uma jornada de 20 horas semanais? Isso não chega nem perto da metade do investimento mensal que destinei aos meus estudos. Como podem então os gastos com estudos serem tão caros? Eu poderia prosseguir a minha indignação, com muitos outros questionamentos e exemplos de desrespeito com a nossa profissão e todo o investimento nela feito por nós. Há muito o que se falar. Mas quero apenas convidar os colegas fonoaudiólogos que almejam o sucesso a refletirem sobre a necessidade de unir forças para alcançar o sucesso de toda uma classe.

Os Fonoaudiólogos de sucesso que conhecemos foram muito fortes. Nós que estamos ainda buscando este sucesso, precisamos ser ainda mais.











terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Adoro os vídeos educativos do Dr. Selinger (Em inglês)

Dr. Craig Selinger é um fonoaudiólogo americano que produz vídeos educativos para o site About.com, com o objetivo de orientar pais a estimular a Fala e Linguagem da criança. Eu adoro esses vídeos e compartilho aqui alguns deles para os papais e mamães fluentes em inglês! Precisamos achar um Fonoaudiólogo brasileiro para fazer uns vídeos desses. Alguém se candidata? 





domingo, 28 de outubro de 2012

Palavras de conforto e força



Hoje eu só quero contar uma pequena história que li, inspiradora... para levar palavras de conforto e força para todos que estiverem enfrentando algum tipo de batalha, em especial a favor da saúde. Espero que, assim como a mim, esta história lhe emocione e motive. ;-)
Today I only wanna share with you a special story, that really inspired me... to allow you read some words of confort and strenght, for whoever is dealing with some sort of battle, specially if you are fighting against any disease. I hope you like it as much as I did!


Havia uma mulher que um dia, pela manhã, ao levantar-se, olhou-se no espelho e percebeu que tinha apenas três fios de cabelo restantes. "Bem", disse ela, "Eu acho que vou ter que fazer uma trança hoje". Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.
There once was a woman who woke up one morning, looked in the mirror, and noticed she had only three hairs on her head. "Well," she said, "I think I'll braid my hair today." So she did and she had a wonderful day. 

No dia seguinte ela levantou-se, olhou-se no espelho, e viu que tinha apenas dois fios de cabelo. "Hummm", ela disse, "Eu acho que vou ter que partir meu cabelo ao meio hoje." Assim ela fez e teve um grande dia.
The next day she woke up, looked in the mirror and saw that she had only two hairs on her head.
"H-M-M," she said, "I think I'll part my hair down the middle today." So she did and she had a grand day. 
No dia seguinte, ela levantou-se, olhou-se no espelho, viu que tinha apenas um único fio de cabelo. "Bem", disse ela, "Hoje eu vou ter que fazer um rabo de cavalo". Assim ela fez e teve um dia divertidíssimo.
The next day she woke up, looked in the mirror and noticed that she had only one hair on her head.
"Well," she said, "today I'm going to wear my hair in a pony tail." So she did, and she had a fun, fun day.


 No dia seguinte, ela levantou-se, olhou-se no espelho e percebeu que ela não tinha sequer um único fio de cabelo na cabeça. "Oba!", ela exclamou, "Hoje eu não tenho que pentear o meu cabelo!"
The next day she woke up, looked in the mirror and noticed that there wasn't a single hair on her head. "YAY!" she exclaimed. "I don't have to fix my hair today!"
Atitude é tudo. 
Attitude is everything.


Seja  mais amável do que o necessário, com todas as pessoas que você encontrar que esteja lutando alguma batalha.
Be kinder than necessary, for everyone you meet is fighting some kind of battle .



Viva humildemente, Ame generosamente, Cuide profundamente, Fale gentilmente. Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender a dançar sob a chuva.
Live simply, Love generously, Care deeply, Speak kindly. Life isn't about waiting for the storm to pass... It's about learning to dance in the rain.


sábado, 13 de outubro de 2012

Pimentas e Saúde Mental

A minha querida amiga Maíra Barczewski me deu te presente de aniversário um livro de crônicas, Pimentas: para provocar um incêndio, não é preciso fogo, do sábio Rubem Alves. Ainda estou me deliciando páginas a dentro deste livro reflexivo e envolvente, mas acho que já passei pela minha crônica favorita: Capítulo 5. Saúde Mental.

Eu não gosto muito de publicar postagens CTRL+C/ CTRL+V - aquelas que a gente compartilha qualquer bobeira que outras pessoas estão escrevendo por aí, ao invés de dar a cara a tapas escrevendo o que a gente pensa - mas... eu acho que vai ser válido usar Rubem Alves na minha tentativa de promover saúde por meio do blog. Aliás, a rotina de trabalho tem me consumido e eu não tenho tido tempo para postar informações e experiências que eu gostaria de compartilhar por aqui. Então, não vou perder a oportunidade de fazer pelo menos essa postagem CTRL+C/ CTRL+V! ;-)

Não entendo muito bem como funciona a legislação sobre direitos autorais, mas acho que não é crime compartilhar um capitulozinho do livro por aqui - na melhor das intenções! Aqui vai... com licença, Sr. Rubem Alves...


Saúde Mental
Rubem Alves

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecilia Meireles sofria uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou-se. Todas elas, pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem-unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa.

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. 

Somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais"- símbolos que formam os programas e ficam gravados na memória do computador.

Nós  também temos um hardware e um software.O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Assim como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem. 

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco, há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software, há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das pertubações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas. 

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e de se comover. Imagine mais, que a beleza seja tão grande que o hardware não a comporte e se arrebente de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. E muito cuidado com a música! Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir pensamentos Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o software pensará sempre coisas iguais. E há os programas obrigatórios de televisão, especialmente no vazio dos domingos.

Seguindo essa receita, você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas, como você cultivou a insensibilidade, não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus SONHOS. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.